8º e 9º Ano
Leia:
Em quarentena, 72% dos
moradores de favelas têm padrão de vida rebaixado
Pesquisa inédita
aponta que nessa população, de 13,6 milhões, 32% terão dificuldade para comprar
comida
24.mar.2020
às 2h00
EDIÇÃO
IMPRESSA
SÃO
PAULO
Fernanda
Mena
Emilio
Sant'Anna
Apenas uma semana dentro
de casa, em quarentena contra a pandemia do novo coronavírus e sem renda, já é
tempo o suficiente para 72% dos moradores de favelas no Brasil não conseguirem
manter o baixo padrão de vida por não terem nenhum tipo de poupança.
Nessa população, formada
por 13,6 milhões de pessoas, 32% (ou quase 1 em cada 3) terão dificuldades na
compra de itens básicos de sobrevivência, como alimentos.
Os dados fazem parte de
uma pesquisa inédita do Data Favela, que investigou o impacto da pandemia nas
comunidades pobres e precárias do país.
Ao todo, 1.142 pessoas
foram entrevistadas neste mês em 262 favelas de todas as regiões do país. A
margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Os resultados do
levantamento evidenciam que esse contingente, maior do que a população da
cidade de São Paulo, por exemplo, enfrentará, para além da questão de saúde
pública —agravada pelos ambientes domésticos minúsculos e pela falta de
saneamento básico generalizada—, o desafio econômico da sobrevivência, com
menos dinheiro ou mesmo sem ele.
No Brasil, até esta
segunda-feira (23), o novo coronavírus havia causado 34 mortes e 1.891 casos de
infecção confirmados, segundo o Ministério da Saúde.
Entre os mortos, 30 estão
em São Paulo e 4 no Rio de Janeiro. Até o domingo (22), eram 25 mortos e 1.546
casos. A capital fluminense registrou sua primeira morte por Covid-19, a de uma
mulher de 58 anos que tinha doenças crônicas.
A pesquisa do Data Favela
apontou que 7 em cada 10 famílias afirmam já terem tido a renda diminuída desde
o início da pandemia e das medidas preventivas do alastramento do vírus, e que
79% já começaram a cortar gastos por conta da crise provocada pela Covid -19.
Isso porque quase metade
dos trabalhadores que vivem em favelas são autônomos(47%) e 8% são informais,
ou seja, boa parte deles não pode contar com o suporte da legislação
trabalhista nem com as políticas emergenciais pensadas para quem tem carteira
assinada.
"Por mais que isso
soe alarmista, esse quadro pode indicar uma situação de convulsão social num
futuro próximo", avalia Renato Meirelles, fundador do Data Favela, uma
parceria do Instituto Locomotiva e da Cufa (Central Única das Favelas).
São pessoas como a
diarista Alda Pereira, 56, moradora da favela de Heliópolis, na zona sul de São
Paulo, que desde esta segunda-feira (23) começou a sentir o efeito da crise
causada pelo coronavírus. Na noite de domingo, ela recebeu a notícia de que
estava dispensada da única casa em que fazia faxina, o que lhe rendia R$ 800
por mês.
“Foi um baque, fui
demitida pelo ‘zap’. Fácil, né?”, diz ela que não conta com nenhum tipo de rede
de proteção social do estado.
O que deve salvar a
diarista durante as semanas de recolhimento quase compulsória será outro tipo
de auxílio. Missionária da Assembleia de Deus, há 25 anos, ela mantém um
trabalho de recolhimento de itens e distribuição de cestas básicas. É daí que
virão os alimentos com que ela deve passar o próximo mês. “Estou crendo em
Deus, que foi quem sempre me sustentou”, afirma.
Meirelles indica que
pessoas nessas condições já têm dificuldades para pagar as contas do mês. Neste
grupo, 84% projetam uma redução de renda por conta da pandemia.
"Cesta básica ajuda,
mas é, de novo, o asfalto dizendo para a favela o que ela tem direito a
consumir. Mais efetivo seria transferir renda diretamente para que os moradores
de favelas comprassem o que precisam", afirma. "Se não houver ações
efetivas, públicas e privadas, para garantir uma renda mínima, o adiamento de
contas, garantindo provimento de produtos básicos, como alimentos, internet e
produtos de limpeza, pode haver revolta das favelas."
"Até agora eu não
ouvi a palavra favela sair da boca dos políticos que estão tratando da pandemia
do coronavírus", critica Gilson Rodrigues, presidente da União de
Moradores e Comerciantes de Paraisópolis, favela da zona sul da capital
paulista, e articulador do G10, bloco de líderes e empreendedores sociais de
favelas do país.
Seu grupo é uma das
organizações ligadas às favelas que criaram listas de medidas para guiar os
governantes sobre as necessidades dessas comunidades.
Para quem, mesmo sem as
restrições de ganhos impostas pela pandemia, não tem condições de comprar
produtos básicos de alimentação e de higiene, como sabonete, a saída é a implantação
de um programa de renda mínima emergencial, defende Douglas Belchior, membro da
coordenação nacional da Uneafro, entidade que luta pelos direitos de moradores
das periferias e favelas.
Na sexta-feira (21),
junto com outros movimentos de defesa da cidadania, a organização lançou um
abaixo-assinado para pressionar o Legislativo a aprovar a medida em caráter de
emergência. O objetivo é que 80 milhões de brasileiros sejam cobertos pelo
programa enquanto durarem os efeitos da pandemia de coronavírus.
“A proposta é de renda
básica de R$ 300 por pessoa, para todos que têm renda menor do que três
salários mínimos”, afirma Belchior.
Até esta segunda-feira
(23), o abaixo-assinado havia reunido pouco mais de 500 mil adesões. “É uma
questão humanitária. Quando esse vírus tocar o chão das favelas e dos morros,
veremos um genocídio no Brasil”, diz.
O próprio Bolsa Família
seria uma opção, diz Gilson. "Nossa sugestão é que o governo utilize o
sistema do Bolsa Família, ampliando o benefício para um salário mínimo por três
meses e reabilitando o cartão de quem teve o benefício cortado
recentemente", diz.
Nesta segunda, no
entanto, ativistas que lutam pelos direitos dessa população se surpreenderam
com a MP (medida provisória) editada pelo presidente JairBolsonaro (sem
partido), que autorizava a suspensão do contrato de trabalho por até quatro
meses. No início da tarde desta segunda, porém, ele voltou atrás em relação a
um dos artigos da medida e disse que ele será revogado.
“O país precisa de um
presidente que se comporte de acordo com o cargo que ocupa”, diz Belchior.
“Mesmo os mais liberais compreendem que neste momento é preciso garantir renda
para a população mais pobre.”
"O governo tem de
fazer a parte dele, mas o presidente está até agora falando que é uma gripinha.
E nós não temos tempo a perder com esse tipo de papo. A favela vai ter de
começar a fazer as coisas por si e dar o exemplo", diz Gilson.
As ações para a população
das favelas também estão passando por campanhas de arrecadação emergenciais e
ações diretas da população. A Uneafro, por exemplo, reuniu R$ 50 mil em uma
campanha de arrecadação para ajudar a manutenção de cerca de 300 famílias de
favelas paulistanas. “É uma ajuda paliativa, de efeito temporário. Não podemos
apenas esperar a ação do Estado porque a história nos mostra que ele não irá
nos salvar, mas tirar nossas vidas”, afirma Belchior.
Em Paraisópolis, estão
sendo criados comitês de cada bairro da favela, com presidentes de cada rua,
que vão mapear a situação de cada 50 casas e farão a ponte com a união dos
moradores, que vai fornecer marmitas para os mais necessitados, produzidas
diariamente na sua cozinha comunitária. Para isso, criaram um canal online de
arrecadação de recursos.
A Cufa elaborou uma lista
de 14 recomendações para as favelas, que vão desde a distribuição de produtos
de higiene até a criação e liberação de pontos de internet para que as pessoas
possam se comunicar e acessar notícias sobre a pandemia.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/em-quarentena-72-dos-moradores-de-favelas-tem-padrao-de-vida-rebaixado.shtml
(Acesso em: 24/mar/2020)
Após leitura atenta da
notícia, responda às questões que seguem, em seu caderno de Língua Portuguesa.
1-
Toda notícia é produzida a partir de um
fato de grande relevância para a sociedade. Que fato é esse?
2-
Indiretamente o veículo de comunicação, o
Jornal Folha de S. Paulo, constrói uma crítica ou uma denúncia em relação a tal
fato. Qual a crítica ou denúncia construída?
3-
Como estudado no ano anterior, toda
notícia é composta por um lide, que são as principais informações a respeito do
fato noticiado. Complete o lide, com as informações da notícia:
a- QUEM?
b- ONDE?
c- QUANDO?
d- COMO?
e- POR
QUÊ?
f- PARA
QUÊ?
4-
Há depoimentos na notícia. Indique quem
são as pessoas entrevistadas e o que pensam a respeito do fato.
5-
Qual a sua opinião a respeito do fato
noticiado? Escreva um parágrafo demonstrando-a.
6-
Comente o conteúdo da notícia com dois
familiares, peça para relatarem a opinião deles e escreva-as.
7-
Destaque as informações que você achou
importante na notícia.

![Caixa de Texto: Qual é o poliglota que fala mais línguas?
por Felipe Branco Cruz
Segundo o Guinness, é o militar aposentado norte-americano Gregg M. Cox, capaz de ler e escrever em 64 línguas (14 delas com fluência) e 11 dialetos. Mas, há também casos extraordinários que não foram registrados no livro dos recordes. O catarinense Carlos Amaral Freire, de 82 anos, já estudou 135 idiomas. “Há mais de 50 anos, aprendo dois novos por ano. Mas não tenho a vaidade de ser o maior poliglota do mundo”, diz. “Só para conversar com a minha família eu preciso de cinco línguas: basco, espanhol, italiano, grego e português.” Ele é autor do livro Babel de Poemas, com textos traduzidos de 60 línguas diferentes para o português. Recentemente, estudou baixo alemão (falado no norte da Alemanha) e siciliano e revisou outras cinco línguas. […]
Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br. Acesso em: 07 de jun. de 2016.](file:///C:/Users/FERNAN~1/AppData/Local/Temp/msohtmlclip1/01/clip_image005.gif)

